A palavra que matou o cancro

Vivemos num tempo em que a palavra é uma arma. Como tal, deve ser bem usada. Mas não devemos ter medo dela. A palavra que fere também acarinha. Acredito que, acima de tudo, deve ser usada com exatidão e verdade. É o que faço aqui, com o meu sentido afiado: tento usar a palavra de forma correta e com verdade.

Vem isto a propósito da última praga que afetou a comunicação social nacional. Ultimamente, os grandes vultos morrem de uma doença desconhecida. «Faleceu, vítima de doença prolongada», costumam dizer. O eufemismo estúpido maquilha o cancro. Como se a palavra cancro fosse algo interdito à escrita. Ao jeito de Harry Potter e da máxima «aquele de quem não podemos dizer o nome», a palavra cancro vai sendo retirada dos media.

Porventura, quem morre de cancro deve ficar, já depois de defunto, envergonhado pela doença que lhe tirou a vida?

Eu prefiro morrer de morte súbita. Na verdade, preferia não ter de morrer. Mas a ter de ser, que seja súbita. Parece-me mais agradável. Como não tenho poder de escolha, se a morte for prolongada, por favor, anunciem-na corretamente.

Fico sempre com ‘agua na boca’ com estas notícias. Como se não me estivessem a contar a verdade toda ou a omitir algo. E isso, é coisa que não deve coexistir.

Dito isto, vou viver… de forma prolongada.

 

Afiómetro

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