Veneza: pelo grande canal da alegria e cor

É uma cidade à tona da água. Por vezes também dentro da água. Veneza exercia em mim uma mistura de fascínio e receio (não sou muito boa nadadora). Depois de a conhecer, por baixo da máscara, ficou só o fascínio.

O prometido é devido. Ou de vidro, se for na ilha de Murano. O livro ‘As virgens de Vivaldi’ levanta o véu sobre Veneza. Eu mostro-vos mais um bocadinho. Mas Veneza não é o que se conta ou o que se lê, é o que se vive e guarda na memória.

Cheguei de comboio. Saí de Veneza-Mestre, onde pernoitei, e fui até à estação de Santa Luzia, na cidade de Veneza, naquele que é o último ponto possível de viagem num meio de transporte terrestre. A partir daqui valeram-me os vaporetto (uma espécie de sistema de metro cosmopolita, mas na versão aquática).

Vencido o receio de cair à água a qualquer instante, pelo facto de a ver constantemente, deixei-me conquistar pela cidade. Há sempre alegria: a arquitetura é alegre e sensual, com as suas cores e recortes; as Praças estão cheias de vida e sorrisos; os mercados cheios de cores, de cheiros intensos, de frutas doces e frescas; as máscaras misteriosas… Só de recordar, sinto-me outra vez pequenina na imensidão da Praça de São Marcos, ou no espaço da bienal de Veneza, em frente ao Ca’Doro ou ao palácio Ducal.

Como qualquer turista, comecei por visitar os locais dos postais, como a Praça de S. Marcos ou a Ponte do Rialto. A verdade é que são pontos que não temos como evitar. A massa de turistas corre para lá. De tal maneira que os degraus da ponte do rialto estão gastos e rompidos. Tão rompidos que escorreguei e dei um valente trambolhão! Fiquei com o rabo pisado e com dor de barriga de me rir de mim mesma pela façanha.

Mas Veneza das pizzas margaridas a cada esquina, das frutas cortadas e vendidas em copos, dos granizados, das pessoas risonhas… essa Veneza não se pode contar, tem de se viver. É uma cidade autêntica, que preserva a tradição da mesma forma que acolhe o turista: celebrando-os e acarinhado-os.

Um dia vou querer uma garagem aquática para o meu barco e tomar pequeno almoço junto ao grande canal (que em nenhum dos dias me cheirou mal). Um dia vou vestir-me de gala e usar uma máscara ‘made in Italy’ para um Carnaval que não se deixou corromper pelos corpos suados e despidos. Aqui a tradição mantém-se misteriosa e cheia de glamour.
Que saudades de Veneza! Ah!…

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P.S. – Se forem a Veneza, visitem as ilhas de Murano (a ilha dos artesãos do vidro), Burano (a ilha arco-íris, com casas de várias cores) e Torcello (ilha desabitada, guardada pela imponente catedral de Santa Maria). O livro ‘As virgens de Vivaldi’ também usa estes espaços como cenários.

O bilhete de viagem de barco para estas ilhas não é integrado no passe do sistema vaporetto, mas há viagens todos os dias. Eu voltava a fazer tudo outra vez.

Só de lembrar, sinto-me…

No Paraíso

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