Os dias do amanhã*

2016_09_02 Vivemos tanto o presente, o imediato, tão consumidos pelos problemas do quotidiano que poucas vezes olhamos para lá do nosso curto horizonte. Conduzida pelo Courrier Internacional, mergulhei nas previsões do futuro, naquilo em que o nosso imediato pode transformar a nossa vida em 2050. Acho que não gostei.

Vejo-me a mim mesma sob a noção do carpe diem. Aproveito o dia de hoje, porque amanhã não sei se terei dia para viver e apreciar. Mas dentro deste conceito, aproveito as pequenas coisas que a vida me dá: o sol, a chuva, um mergulho no rio, uma flor, um café com os amigos, um bom bife no prato ou uma sardinha grelhada com pimentos e feijão verde. Consigo ser feliz com pouco, mas este pouco, por vezes, torna-se impossível de ter. Por isso, por entre a azáfama, se me surge algo deste ‘pouco’ que me faz feliz, tento aproveitar.

Depois de ler a revista – assumo que sou fã – dei comigo a pensar como será, no futuro, e sei que isto acaba por ser contraditório, o carpe diem. Se no presente nos queixamos das 40 horas semanais, mas andamos constantemente ligados à rede e ao telefones e disponíveis para tudo e todos a toda a hora, no futuro corremos o risco de trabalhar mais de 50 horas. Querem tempo para um café? Terão! Mas irão estar a tomar café e a dar ordens ao robô que têm no escritório… ou ao forno de casa que está a adiantar o jantar.

A tecnologia vai continuar a pautar a nossa vida e Rui Cardoso, no editorial da revista, prevê que “até uma simples ida para o Trabalho mais parecerá a visita a uma Feira de eletrónica”.

Flores, passeio pela floresta, mergulho no rio? Se 70% da população será urbana, não sei como ficarão as florestas. Sei, isso é fácil, que com mais urbanização haverá menos produtores de carnes, leite, frutas e legumes. Vamos comer carne de viveiros! blhaque! A somar a isto, a escassez de água continuará a ser uma preocupação.

Como será o futuro? Vamos aprender com os nossos erros e valorizar mais os recursos naturais? Vamos aproveitar a tecnologia para ter mais tempo livre para família e amigos? Ou, pelo contrário, vamos continuar a intensificar o nosso ritmo de trabalho? Eu quero conhecer o futuro. Mas quero um futuro melhor que o presente. Caso contrário, por favor, construam a máquina de viajar no tempo que eu volto para o passado.

Atenção, estas previsões não foram escritas por quem lê os astros ou fala com Deuses. Foram escritas por investigadores e estudiosos que analisam a realidade de hoje e os seus impactos no futuro. Claro que as previsões, e por isso é que são previsões, podem não se concretizar. O futuro ainda não aconteceu, continua a depender de nós. O mundo será aquilo que nós quisermos que ele seja. Eu quero um mundo melhor. Quero continuar a comer bife e não carne em pó!

* Este título não é da minha autoria. Faz a capa do Courrier Internacional de setembro.

 

Fiquei com o afiómetro…

Assim-Assim

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