Passear “um cibo*” – Chaves

Quanto mais passeio por Portugal, mais me convenço que vivo num país lindo e maravilhoso. Há uns tempos decidi, repentinamente, conhecer Chaves. Que ótima decisão! Agora, que o fim de semana promete bom tempo, peguem na mala e sigam o meu conselho.

A viagem é um encanto, sempre acompanhada de belas paisagens, e a cidade é um pequeno postal. Sabemos que Portugal é habitado há milhares de anos e reconhecemos que houve civilização antes de nós, mas nem sempre temos noção exata de quão civilizados eram os povos antes da modernidade. Chaves mostra-nos isso. A disposição da cidade comprova que existia um núcleo central, de poder e decisão, onde a vida se decidia. Depois, a cidade crescia em torno do núcleo, numa vida harmoniosa em comunidade. Ao passear pelas ruas mais antigas imaginava as conversas de vizinhos nas varandas, sempre asseadas com brio e cor.

2016_03_12

Mas o expoente máximo da sabedoria ancestral do povo flaviense é a ponte de Trajano, batizada com o nome do Imperador do império “Aquae Flaviae”. Foi construída no século I. São quase dois mil anos de existência imaculada. Agora fechada ao trânsito, circular pela Ponte de Trajano apela à contemplação da cidade – enquanto centro das vivências (as atuais e as de outrora) – e do rio, esse elemento natural que tão importante continua a ser para as populações que deve se servem. E em Chaves, não é só o Tâmega que eleva a importância da água; as termas são igualmente sinónimo de vida e saúde. Há 2 mil anos construiu-se uma ponte que chega até aos nossos dias, tão bela como quando nasceu. O mérito é do engenho de quem a construiu, mas também da sabedoria desta população que a conservou e a empresta a quem passa, convidando a passear “um cibo”, como me disse um habitante local, pela cidade.

Podia fazer de guia turística, mas prefiro que descubram a cidade sozinhos. Levem os olhos e o espírito aberto e deixem-se seduzir pelo charme dos edifícios e das pessoas. Por falar em seduzir, não se esqueçam de comer os pastéis de Chaves. Ah, se quiserem comer iguarias típicas deliciosas passem pelo restaurante “Pensão Flávia”. Comem o que quiserem e pagam o que quiserem! Não estou a brincar, o conceito é mesmo este. Já só penso em voltar.

*regionalismo usado como sinónimo de bocado ou pedaço.

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