Gastronomia Açoriana

O voo atrasou e cheguei mais tarde do que esperava a Ponta Delgada. Deixadas as malas no hotel, e depois de um ligeiro passeio, decidimos (sim, viajar sozinha não tem graça nenhuma!) procurar sítio para comer. Para cúmulo da pontaria, sentámo-nos num café, próximo das Portas da Cidade, onde a cozinha já estava fechada. Atencioso, o funcionário indicou-nos um restaurante onde podíamos comer as melhores iguarias do arquipélago. Seguimos o conselho, mas só no dia seguinte, porque quando chegamos ao restaurante éramos os últimos de uma longa fila e a fome não nos permitia esperar. Mas olhem que valia bem a espera!

Trouxeram-nos a ementa, apresentada em forma de jornal que o restaurante edita regularmente. É tão bom entrar em sítios que fogem à regra e fazem coisas diferentes. A ementa veio, mas não precisava de ter vindo porque seguimos a sugestão do empregado de mesa que prontamente nos indicou os pratos típicos da ilha.

Começamos pelo queijo da ilha de S. Miguel – que maravilha de entrada! – que fomos acompanhando com uma cerveja Especial Melo Abreu, da mesma ilha, claro! Posso dizer-vos que andei a beber esta cerveja as férias todas e ainda hoje sinto saudades dela.

Eis que chegou o polvo, em dose generosa, e fazendo-se acompanhar ‘apenas’ de uma batata a murro e uma pasta de inhame*. Entrou na boca e derreteu-se como manteiga, espalhando o seu sabor intenso por toda a boca… que polvo delicioso! Não, não fazia lembrar as receitas das avós, porque as minhas avós não cozinham polvo assim. Nem a minha mãe. Nem eu! Era polvo estufado tão tenro que parecia ter cozido uma vida inteira. E o sabor? Bem, sabor a maresia, a polvo acabado de apanhar, amanhar, e atirado para a panela, sem muitas demoras e com pouco condimento, para não alterar o sabor.

Comi, comi e comi… e não consegui acabar com a dose do meu prato. Desconfio que nele estava um polvo inteiro, com as suas oito pernas. A minha boca bem aguentava com tanta perna, mas o estômago já não. E eu até rejeitei o resto da batata e do inhame para continuar no polvo, mas já não dava para mais.

Para ajudar a digestão de tão bom manjar, acabei com uma rodela de ananás de S. Miguel. Nem vale a pena tentar descrevê-lo e dizer que é diferente de tudo o que compram no continente. O melhor que vos posso dizer, como boa amiga, é: vão aos Açores, vão a S. Miguel, comam as coisas nos locais de onde elas são naturais.

* Eu também não sabia o que era, mas se era para provar, era para provar tudo. Provei, gostei e aprovei. Tem o sabor neutro da batata e a textura da abóbora. Pelo menos para mim.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s